PLR: os seus funcionários merecem participação nos lucros?

Muitos empreendedores optam por pela modalidade de remuneração variável como uma forma de recompensar seus colaboradores. Entenda como funciona.

Via : Saia do Lugar

Publicado: quarta-feira, 11 abril, 2018 às 19:24
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Ao implementar esse tipo de remuneração, a ideia do empreendedor é fazer com que sua equipe entenda que o sucesso da empresa é fruto do sucesso individual de cada um de seus funcionários

PLR é a sigla para Programa de Participação nos Lucros, uma modalidade de remuneração variável que dá ao colaborador uma parte do lucro que gerou como bônus. Normalmente, as PLRs são implementadas como forma de incentivo, para garantir o cumprimento de metas e objetivos estratégicos. Mas você sabe quando o PLR é bom para a sua empresa? É o que vai descobrir a seguir.

Vamos falar sobre participação nos lucros e resultados? Muitos empreendedores optam por essa modalidade de remuneração variável como uma forma de recompensar seus colaboradores. Por isso é interessante entender melhor como funciona.

Você sabe o que é a PLR? Quer descobrir quando ela pode ser uma boa opção para seu negócio? Tem receio de que implementá-la possa afetar seus lucros? Quer entender os reflexos que isso traz para sua folha de pagamento? Então este post pode ajudá-lo!

Nós reunimos inúmeras informações para sanar todas as suas dúvidas sobre o tema. Por isso, continue com a leitura e aprenda um pouco mais sobre esse direito trabalhista!

O que é PLR?

Sempre que falamos sobre regras e institutos jurídicos é interessante iniciarmos com o conceito. Afinal, a maioria dos empreendedores não possuem formação em Direito e esses conhecimentos são imprescindíveis para a gestão empresarial.

Então o que é PLR? A participação nos lucros e resultados é um modelo de remuneração que se baseia na divisão dos lucros com os colaboradores. Em geral, o gestor estipula metas e os funcionários que as alcançam têm o direito de receber uma quantia extra como recompensa.

Para que fique ainda mais claro, a ideia do empreendedor ao implementar esse tipo de remuneração é fazer com que sua equipe entenda que o sucesso da empresa é fruto do sucesso individual de cada um de seus funcionários.

Trata-se de um modelo muito utilizado em grandes corporações, mas ainda com certa resistência por parte dos pequenos e médios empreendedores, posto que alguns acreditam que isso pode afetar sua lucratividade.

Qual a diferença entre PLR e PPR?

A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é diferente do Programa de Participação nos Resultados (PPR).

No primeiro caso, temos a divisão do lucro, ou seja, o colaborador só recebe esses valores se a empresa, além de alcançar bons resultados, conseguir bons lucros. Podemos dizer, portanto, que no PLR a meta é o próprio lucro.

Já o PPR está mais relacionado ao alcance de metas e não aos lucros. Por isso, ainda que o negócio tenha prejuízos, se as metas definidas forem cumpridas, o funcionário receberá a quantia previamente definida pelo programa.

Quando é aconselhável implementar esse tipo de remuneração?

Desmitificando de vez a ideia de que a participação nos lucros e resultados prejudica a lucratividade do empresário, é muito importante entender quando pode se tornar em uma grande estratégia de negócio.

O primeiro ponto a ser ressaltado é que o lucro só é repartido quando a equipe atinge as metas previamente estabelecidas. Com essa informação já é possível concluir que sua empresa tem muito a ganhar com a PLR.

Mas, afinal, em qual situação é interessante apostar nisso? Em geral, sempre que uma empresa precisa elevar sua produtividade e percebe que sua equipe está desanimada, é possível apostar nessa estratégia.

Em momentos que se faz necessário elevar o nível e qualidade do serviço para disputar mercado e aumentar a rentabilidade, apostar nessa recompensa variável atrelada ao alcance de uma meta pode ser muito interessante.

Diferentemente do que muitos empreendedores pensam, você não perderá seus lucros. Na verdade. O empenho e a dedicação do grupo aprimora seus resultados e isso traz reflexos expressivos nas finanças da empresa. Assim, mesmo repartindo os ganhos, você terá um lucro ainda melhor.

Nesse sentido, podemos concluir que o gestor deve avaliar a atual situação do seu negócio e observar com seriedade os impactos motivacionais dessa estratégia. Para isso, deixar de lado o medo e o preconceito em repartir os lucros é o primeiro passo.

Pode-se dizer que a participação nos lucros e resultados é um salário?

Essa é uma dúvida comum entre os empresários e gestores, visto que a resposta pode trazer algumas implicações básicas na folha de pagamento. Porém, é necessário deixar claro que a PLR não pode ser confundida com salário.

Quando um funcionário recebe a PLR não está recebendo o seu salário. Por esse motivo, ela não está sujeita à tributação de Imposto de Renda — exceto quando excede 6 mil reais — e, também, não pode ser paga várias vezes no ano.

Em outras palavras, a empresa não pode repartir lucros todos os meses. Isso só é permitido em duas parcelas anuais.

Além desse detalhe, vale a pena ressaltar que muitas empresas costumam pagar esse benefício no final do ano (principalmente em dezembro), o que pode causar uma certa confusão com o décimo terceiro salário. Mas, fique atento! Esses valores não são a mesma coisa!

O negócio que opta em repartir seus lucros no final do ano deve fazer isso separadamente do décimo terceiro. Essas duas verbas não se confundem e são tratadas de maneira distinta pela lei.

Como implementar a PLR em seu negócio?

Existem dois caminhos a serem seguidos por quem deseja implementar esse modelo de remuneração na empresa: o primeiro é baseado no resultado geral da empresa e o segundo tem como referência os esforços individuais de cada colaborador.

Na primeira opção, você deve estabelecer uma meta de lucro a ser atingida no final do ano, por exemplo. Caso esse resultado seja alcançado, seus funcionários receberão um percentual desse resultado. Portanto, esse modelo é simples de ser implementado, mas não premia seus talentos de maneira individual.

Na segunda opção, porém, o gestor estipula metas individuais. Por meio de indicadores escolhidos para cada área da empresa, define-se metas para cada uma das funções exercidas. Assim, quem atinge 100% do objetivo, recebe 100% da PLR; quem atinge 70%, recebe 70% e assim por diante.

Observe que, nesse caso, o funcionário recebe um estímulo a mais para se desenvolver e colaborar com o sucesso da empresa. Afinal, não há como ganhar se ele não trabalhar duro para isso.

Como deve ser feito o cálculo da Participação nos Lucros e Resultados?

Apesar de não ser uma prática obrigatória, a lei estabelece regras de transparência para os negócios que optam em repartir os lucros com seus colaboradores. Por isso, é preciso ter muita atenção e responsabilidade ao implementar essa regra.

Segundo nossa legislação, a empresa precisa deixar claro para seus empregados os requisitos a serem cumpridos para se ter direito à participação nos lucros. Tais critérios devem ser objetivos e não deixarem margem para interpretações equivocadas.

Além disso, essa participação pode ser calculada com base nos lucros ou nos resultados (e nos dois), a depender da estratégia e regra que sua empresa escolher.

Lembre-se de que estamos tratando de uma remuneração variável, por isso os valores recebidos oscilarão de acordo com os resultados alcançados, podendo variar com a meta geral da empresa, de cada setor e individual.

O ideal é que sua empresa já tenha esse programa elaborado e consiga definir com clareza a fórmula que será aplicada. Com isso, seu funcionário sabe exatamente o que fazer para ter direito a esse bônus.

Quer um exemplo? Vamos lá! Suponhamos que seu negócio tenha estipulado como meta para a equipe aumentar em 40% o lucro em relação ao ano anterior. Com isso, você pode definir que, se esse resultado for alcançado, 30% do lucro será repartido entre o grupo.

Essa repartição pode se dar em parcelas fixas, isto é, todos recebem a mesma quantia, ou ainda de maneira proporcional. No segundo caso, é possível, por exemplo, estabelecer uma proporção do valor a ser dividido:

Do mesmo modo, a divisão interna entre os funcionários pode ser igualitária ou levar em consideração o seu desempenho individual. É claro que o segundo método é mais complexo e demanda mais cuidado com o cálculo, porém é mais justo e motivador.

O que mudou com a Reforma Trabalhista?

Em 2017 tivemos a aprovação e entrada em vigor da Lei 13.467, conhecida como a Reforma Trabalhista. Esse importante dispositivo legal trouxe alterações em inúmeros direitos trabalhistas, inclusive na Participação nos Lucros e Resultados.

Em resumo, a nova regra determina que os acordos e convenções coletivas de trabalho poderão se sobrepor à lei. Portanto, a principal mudança é que, mediante um acordo, a PLR pode ser paga em mais de duas parcelas.

As empresas podem negociar com os sindicatos uma maneira de pagar essas verbas, que poderão ser efetuadas em até 4 parcelas. Desde que exista a divulgação dos balancetes que a lei exige.

Conseguiu entender o que é a PLR? Ao longo deste post reunimos inúmeras informações relevantes sobre a Participação nos Lucros e Resultados — uma estratégia que ainda recebe uma certa resistência por parte dos empreendedores.

Conforme vimos, não há motivos para temer essa forma de remuneração variável. Na verdade, pode ser uma grande aliada do gestor para aumentar a motivação e engajamento do seu grupo de trabalho. Afinal, quem não gosta de receber recompensas, não é mesmo?

A ideia aqui é premiar os talentos que sua empresa possui, fazendo com que eles entendam que o esforço individual conduz a resultados extraordinários e que isso também pode ser